Viver com as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na adolescência:
Qual o papel das famílias?
Outrora os mais novos reconheciam sabedoria e experiência de vida nos mais velhos, seguindo os seus conselhos que consideravam sensatos. As relações familiares pautavam-se pela hierarquia e reconhecimento da figura paternal para resolver problemas por vezes desvalorizando os sentimentos e os afetos
As famílias contemporâneas, nas suas diversas configurações e tipologias parecem ser lugares de excelência de realização das relações geracionais.
Foram feitos inquéritos e entrevistas sobre histórias de vida e o uso de meios digitais (computadores, tablets) focando mais em adolescentes e nos seus pais, um discurso sobre interesses, no contacto com a internet e nos seus recursos.
A era digital veio criar uma mudança significativa nas relações familiares e mesmo nas relações de sociabilidade com os jovens e entre eles. Os média foram mais valorizados para fins ocupacionais e de lazer do que para finalidades educativas e cognitivas. Os adultos ou alguns adultos tiveram mais dificuldade em se adaptar às TIC do que os jovens. Uma das razões é porque experimentam, sem medo de estragar, exploram e procuram o que desejam. Neste sentido, a adesão dos adolescentes à internet segui o mesmo fascínio, não só como meio de informação e comunicação, mas também de aprendizagem. Para além de se sentirem á vontade na exploração das diferentes ferramentas e software os mais jovens (mas também muitas pessoas mais velhas), usam as TIC e as redes sociais como possibilidade de não estarem isoladas, combinarem, dialogarem, conversarem etc., como reforço de laços de amizade e solidariedade.
Existem várias famílias em Portugal que vivem em ambientes muito diferentes tanto social como cultural e financeiramente. Isso faz com que o acesso à cultura digital seja também diferente.
Há uns anos atrás, a realidade da educação infantil era muito distinta á atual, as crianças tinham de ir trabalhar para o campo para ajudar os seus pais e como não tinham condições económicas para pagar os estudos muitas das vezes, não tinham a possibilidade de frequentar o ensino superior. Pelo contrário, atualmente, a maioria dos adolescentes, pelo facto da escola ser obrigatória, conseguem.
Antigamente esses pais não tinham dispositivos digitais, contudo os seus filhos hoje em dia já passaram esses obstáculos, a maioria já tem vários dispositivos mais que uma televisão, todos têm telemóveis, computadores fixos e portáteis.
Contudo existem pais ainda muito retraídos com a tecnologia pois viveram sem ela na sua infância e têm bastante medo dos riscos tecnológicos e da exposição dos seus filhos.
Apesar da posse de computadores portáteis, por políticas publicas de incentivo à sua aquisição para estudantes a desigualdade do acesso à internet continua.
Os adolescentes usam internet sobretudo para os trabalhos escolares, à comunicação entre amigos e o entretenimento.
Com os inquéritos feitos podemos chegar à conclusão de que não somos caracterizados como uma geração digital. Se o contacto com meios digitais é comum a todos, ter nascido depois dos anos 1990 marca sem dúvida uma “localização geracional” ligada à explosão de consumo. A diferenciação social explica como a tecnologia a vida em casa.
Hoje a cultura digital não se questiona. As vantagens das TIC são imensas para todas as gerações e já ninguém põe em dúvida a facilidade com que se faz uma transferência bancária, se paga com um cartão multibanco, se faz uma pesquisa, se escreve um email ou se comunica com rapidez. Os diferentes equipamentos e possibilidades estão em todo o lado e em todas as atividades do nosso quotidiano. Jogar e ter acesso a atividades de estudo, de lazer e tempo livre. Ver um filme em qualquer dispositivo e já não só no cinema, ver um museu online, ler um livro, estudar e fazer uma conferencia online entre tantas outras possibilidades que todos os dias nos acrescentam facilidade de comunicação com outros. Neste período de confinamento foi, até, possível fazer consultas online, compras e aquisição de bens e serviços.
Do ponto de vista da educação escolar a cultura digital põe à nossa disposição um conjunto de equipamento e ferramentas que devemos aprender a usar. Mas, contudo, é também necessário não nos deixarmos entusiasmar com a cultura digital pois, há outras formas de cultura tão ou mais importantes e que passam por valorizar as relações interpessoais, as pessoas e a vida e não só os bens e serviços.
Para um/uma educador/a é importante saber valorizar tudo. E neste tudo está também a cultura digital.
Referências Webgráficas:
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Ponte, C. (2011). Sociologia, problemas e práticas: Uma geração digital ? A influência familiar na experiência mediática de adolescentes.

Cartaz 2:
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Apresenta-mos aqui uma das nossas propostas de cartaz através de trabalho colaborativo. Utilizamos uma imagem de autoria própria.
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produzido em: https://www.canva.com
